domingo, 2 de agosto de 2009

Capítulo 18 - Desentendimento

Ele estava agora sentado na cadeira que antes era do seu pai, com as mãos na cabeça, parecia até mais bem cuidado do que quando trabalhava na linha de montagem, esperava agora ansiosamente por alguma coisa. Balançava na sua cadeira e parecia que sua ansiedade ia explodir. Colocava e tirava a mão do telefone, esperando arduamente que ele tocasse à qualquer instante. E finalmente isso aconteceu, num movimento rápido ele atendeu.
- E aí, como foi, o que ele disse? – perguntou de um lado da linha. – mas... eu não posso esperar, aconteceu alguma coisa ruim? – ele se decepcionou quando soube que a pessoa do outro lado da linha desligou, colocou o telefone no lugar e levantou-se, indo diretamente para a janela, ver a linha de montagem, que agora parecia muito maior e mais agressiva. Três toques na porta, fizeram ele virar o olhar.
- Marshelo? Entre... – disse Black, pacificamente
Ele não respondeu, apenas acenou com a cabeça enquanto fechava a porta, parecia maior, vestia agora vestes mais pesadas e com uma grande capa azul nas costas e um símbolo de uma cabeça de um lobo.
- O que devo à sua presença?
- Senhor, você sabe muito bem que essa é minha terceira visita para falar da mesma coisa. Sabes que depois do que aquilo aconteceu, só pensa em vingança, e não vê a qualificação dos membros da sua companhia.
- Marshelo, você já veio aqui três vezes, dito por você mesmo. E esta vai ser a terceira vez que vai ouvir a mesma resposta, já disse que não! Independente das pessoas da minha empresa trabalharem menos ou mais, eu quero uma linha treinada ofensivamente para qualquer momento eu vingar a morte...
- Pare com isso! Você está pensando em você mesmo, não no bem desta empresa, que está presente na vida da minha família a mais de trinta anos! Seu pai já morreu faz três anos, você precisa superar!
- Cale a boca! Nunca perdeste um pai para opinar sobre o que eu devo superar ou não! Se não está satisfeito, saia agora da... – ele parou de falar assim que sentiu um forte soco no rosto e caiu ao chão, sem revidar.
- Bem, não precisa terminar a frase, eu estou indo, e vou com amigos, e daqui pra frente você tem mais um inimigo. Pff, que diria que o amigável Black de cinco anos atrás se tornaria esse lixo vingativo – ele deu as costas sem olhar para trás e continuou seguindo.
- É ISSO MESMO! VÁ EMBORA E NÃO VOLTE MAIS! – Ele se levantou, limpando o sangue na boca e se assustou com a entrada da menina – Hey, Sindy, meu amor, fiquei ansioso.
- O que aconteceu? Primeiro encontrei Stenio, Morgado e Ursão no começo do corredor, eles mal me cumprimentaram, e agora, chegando perto da sua sala, Marshelo passou por mim, indo na direção deles, sem olhara para minha cara...
- Não se preocupe com isso meu amor, são apenas idiotas... – Respondeu Black – mas e aí, como foi lá?
A mulher, desajeitada com a história, deu um jeito de esconder isto debaixo do tapete e continuou a conversa.
- Bem, ele disse que está tudo bem!

- Tudo bem? Como assim, tudo bem com o que?
- Tudo bem com o bebe, sim, eu estou grávida.
Toda a fúria de antes e o sangue que escorria pela boca de Black pareciam agora inúteis, quando tudo se resumiu em um abraço de felicidade e esperança.

[Continua]

Capítulo 17 - Passado

Os dois se sentavam um defronte ao outro agora, um ouvinte, e um narrador, esperando para o começo da história de seu passado.

Numa sala de linha de montagem de armas, no topo de uma empresa, onde, pela janela, dava-se para ver outra enorme linha de montagem de robôs e armaduras. Entrou um homem pela porta principal, com vestes douradas, e três brincos na orelha esquerda.
- Parece que você continua evoluindo mais e mais nisto não é? – aproximava-se agora um Kung mais novo, aparentava ter seus dezessete anos, e sorria como não sorria mais hoje em dia. Ia na direção de um homem sentado que desenvolvia na sua frente uma arma com curvas e detalhes extremamente encantadores. Ele sorriu ao ver Kung, e virou-se novamente para a arma.
- Pois é, segundo meu pai, aqui na companhia não tem ninguém pra mim – respondeu enquanto olhava em volta e via várias pessoas também montando armas, e ao seu lado um outro rapaz, encorpado e um pouco menor. – Hey, não, não. Essa peça não é aí, Marshelo, é do outro lado.
- Não é porque você se dá bem com seus equipamentos, Black, que você tem que ensinar os outros, queridinho do papai. – disse Marshelo, se emburrando.
- Ok, me desculpe, apenas me empolguei com tudo isto – Respondeu o homem chamado de ‘Black’, ainda com um sorriso no rosto e virou novamente para Kung – O que dou a honra de um membro da família dourada vir aqui?
- Você sabe muito bem que apesar de você ficar nos classificando assim, como um príncipe e um plebeu, não tem nada à ver, seu pai também é muito rico, e eu não dou a mínima para as ações da minha família. – respondeu Kung, se emburrando.
- Se não se importasse, não vestiria estas roupas douradas.
- Isto é porque meu pai me obriga, ao contrário do seu que só te mima.
Kung não deixou de notar que Black estava de olho em uma menina morena que sentava à sua frente, também tinha muita habilidade com as armas, não se precipitava em nenhum movimento e fazia armas bem detalhadas também.
- Você não consegue disfarçar? – Disse Kung, estralando os dedos na frente de Black.
- Éhm, desculpe, é que já faz um tempo que estou olhando, pra ela, mas ela não é nada fácil – terminou ele com um sorriso sarcástico no rosto. – o nome dela é Sindy, belo nome.
No mesmo momento, da risada dos dois, a porta se escancarou e vinha correndo na direção de Black um garoto de cabelos longos, barba mal feita, e uma roupa negra.
- HARU! Você não devia estar trabalhando estas horas? Você é o melhor ferr...
- Agora não Black, infelizmente trago uma notícia triste para você. – Disse Haru com uma expressão de medo no rosto. – é Seu pai.
- Sim, o que que tem o velho?
- Ele foi assassinado na sala dele.
Um clima nada legal tomou conta da sala, todos ouviram, e os olhares se direcionavam para Black, que agora permanecia parado e com os olhos trancados em Haru. Ele tentou se levantar e ir até a sala de seu pai, mas Kung o segurou.
- Ver aquilo não vai te fazer bem. – Disse Kung, fazendo um esforço para o rapaz sentar novamente.
- Me largue, eu preciso matar o assasino. – disse Black, fazendo mais força, e liberando agora uma aura vermelha, transportando toda a raiva para os seus olhos, Kung foi arremessado longe, e caiu desmaiado ao chão.
Black já ia se adiantando para correr, quando uma mão gelada segurou a sua, ele se virou, ainda raivoso, como se toda a fúria saísse por seus poros agora. E viu aquela bela mulher, envolta por uma aura azul, e de olhos fechados, recitava.
- Calmiuns Eleptio – Toda a fúria passara, Black agora caiu ao chão em prantos de choro, Sindy o segurava pelo pescoço. – seu pai não gostaria de te ver assim! Você vai sim ter sua vingança, mas agora, se você fizer isso, você só vai enfraquecer sua alma, e isto não vai satisfazer o bicho dentro de você chamado fúria. – Em meio de lágrimas e desespero, ele a beijou, selando ali o que resultaria, mais para frente, no salvador da esperança.