domingo, 2 de agosto de 2009

Capítulo 17 - Passado

Os dois se sentavam um defronte ao outro agora, um ouvinte, e um narrador, esperando para o começo da história de seu passado.

Numa sala de linha de montagem de armas, no topo de uma empresa, onde, pela janela, dava-se para ver outra enorme linha de montagem de robôs e armaduras. Entrou um homem pela porta principal, com vestes douradas, e três brincos na orelha esquerda.
- Parece que você continua evoluindo mais e mais nisto não é? – aproximava-se agora um Kung mais novo, aparentava ter seus dezessete anos, e sorria como não sorria mais hoje em dia. Ia na direção de um homem sentado que desenvolvia na sua frente uma arma com curvas e detalhes extremamente encantadores. Ele sorriu ao ver Kung, e virou-se novamente para a arma.
- Pois é, segundo meu pai, aqui na companhia não tem ninguém pra mim – respondeu enquanto olhava em volta e via várias pessoas também montando armas, e ao seu lado um outro rapaz, encorpado e um pouco menor. – Hey, não, não. Essa peça não é aí, Marshelo, é do outro lado.
- Não é porque você se dá bem com seus equipamentos, Black, que você tem que ensinar os outros, queridinho do papai. – disse Marshelo, se emburrando.
- Ok, me desculpe, apenas me empolguei com tudo isto – Respondeu o homem chamado de ‘Black’, ainda com um sorriso no rosto e virou novamente para Kung – O que dou a honra de um membro da família dourada vir aqui?
- Você sabe muito bem que apesar de você ficar nos classificando assim, como um príncipe e um plebeu, não tem nada à ver, seu pai também é muito rico, e eu não dou a mínima para as ações da minha família. – respondeu Kung, se emburrando.
- Se não se importasse, não vestiria estas roupas douradas.
- Isto é porque meu pai me obriga, ao contrário do seu que só te mima.
Kung não deixou de notar que Black estava de olho em uma menina morena que sentava à sua frente, também tinha muita habilidade com as armas, não se precipitava em nenhum movimento e fazia armas bem detalhadas também.
- Você não consegue disfarçar? – Disse Kung, estralando os dedos na frente de Black.
- Éhm, desculpe, é que já faz um tempo que estou olhando, pra ela, mas ela não é nada fácil – terminou ele com um sorriso sarcástico no rosto. – o nome dela é Sindy, belo nome.
No mesmo momento, da risada dos dois, a porta se escancarou e vinha correndo na direção de Black um garoto de cabelos longos, barba mal feita, e uma roupa negra.
- HARU! Você não devia estar trabalhando estas horas? Você é o melhor ferr...
- Agora não Black, infelizmente trago uma notícia triste para você. – Disse Haru com uma expressão de medo no rosto. – é Seu pai.
- Sim, o que que tem o velho?
- Ele foi assassinado na sala dele.
Um clima nada legal tomou conta da sala, todos ouviram, e os olhares se direcionavam para Black, que agora permanecia parado e com os olhos trancados em Haru. Ele tentou se levantar e ir até a sala de seu pai, mas Kung o segurou.
- Ver aquilo não vai te fazer bem. – Disse Kung, fazendo um esforço para o rapaz sentar novamente.
- Me largue, eu preciso matar o assasino. – disse Black, fazendo mais força, e liberando agora uma aura vermelha, transportando toda a raiva para os seus olhos, Kung foi arremessado longe, e caiu desmaiado ao chão.
Black já ia se adiantando para correr, quando uma mão gelada segurou a sua, ele se virou, ainda raivoso, como se toda a fúria saísse por seus poros agora. E viu aquela bela mulher, envolta por uma aura azul, e de olhos fechados, recitava.
- Calmiuns Eleptio – Toda a fúria passara, Black agora caiu ao chão em prantos de choro, Sindy o segurava pelo pescoço. – seu pai não gostaria de te ver assim! Você vai sim ter sua vingança, mas agora, se você fizer isso, você só vai enfraquecer sua alma, e isto não vai satisfazer o bicho dentro de você chamado fúria. – Em meio de lágrimas e desespero, ele a beijou, selando ali o que resultaria, mais para frente, no salvador da esperança.

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